“tô me guardando pra quando o carnaval chegar”, por Odmar Péricles Nascimento

Don Oleari Publicado por em fev 7 2012. Arquivado em crônica, música popular, posts, xou. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta, ou trackbacks a esta entrada

- Passistas da escola Chegou o que faltava, presidida por Odmar

Crônica da idéia que deu certo. Na semana que antecede o carnaval, o desfile de das escolas de samba na capital do Espírito Santo é sucesso. “Vitória abre o carnaval do Brasil” poderá ser excelente marca publicitária, aqui oferecida quase sem custos.

Fugindo à concorrência da global transmissão dos desfiles de São Paulo (Sexta/Sábado) e do Rio de Janeiro (domingo/segunda), a Liga das Escolas de Samba do Espírito Santo (na verdade somente da região metropolitana) adotou proposta de antecipar o desfile e realizar uma “avant premier” desta colossal festa tornada a digital cultural brasileira.

Há os incautos que reclamam ter sido uma carnavalesca carioca, a então Secretária de Cultura de Vitória, Claudia Cabral – irmã do atual governador do RJ, Sergio Cabral Filho, e filha do notável jornalista, escritor, teatrólogo e crítico de tudo que respira cultura no Rio de Janeiro, o Sergio Cabral (pai) – Claudia – dirão os tais incautos – subverteu a ordem e o calendário litúrgico apenas para se ver livre e acompanhar o seu carnaval carioca.
Mas não é que deu certo?

Nesta semana as reservas na rede hoteleira estão no pico. Vem gente de tudo quanto há lado e os camarotes e arquibancadas estarão abarrotados de gente colorida e ávida pelo retumbar dos tambores e o tilintar das maracas e agogôs.
As Escolas de Samba tomam seus últimos ensaios, capricham nas coreografias, ainda escondem as alegorias que surpreenderão na passarela do samba.

Já neste exato momento a moça branca (sei lá porque essa é quase sempre branca) dá o brilho na peça que fantasiará sua cabeça de rainha de bateria, enquanto o mestre-sala e sua porta-bandeira (esses tradicionalmente negros) contam quantos giros darão antes de se referenciarem à platéia e à comissão julgadora.
A quem interessar possa: esse casal vale até 10 pontos. Enquanto a rainha, apenas suspiros e aplausos.

Espaço e tempo interessantes. Raro momento para homens e mulheres negros e não negros gingarem numa simbiose de arte, tomando a cena e arrancando aplausos consagradores, e que pena! Termina logo ali, no fim da linha, fim da fantasia. Foi tão veloz. Tão bom e tão veloz. Crônica do orgasmo. E agora tudo voltando a ser tão normal.

Do lado de cá não há mais quem lhe veja, aplauda ou inveje. Apenas a crônica. Crônica da felicidade vã.

Odmar Péricles Nascimento é sociólogo e analista político

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