Carnaval de rua
por Alencar Garcia de Freitas

Don Oleari Publicado por em fev 6 2012. Arquivado em música popular, posts, xou. Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta, ou trackbacks a esta entrada

O carnaval da nossa geração – décadas de 1940 a 1970 – era o que se podia chamar e considerar como a verdadeira festa do povo, envolvendo clubes sociais de diferentes segmentos que marcaram época em nosso Estado, como Saldanha da Gama, Álvares Cabral, Iate e Praia Tênis Clube, Vitória, Brasil, Anchieta, ARCI, Libanês e tantos outros, que atendiam todas as classes sociais.
Mas o melhor mesmo era o carnaval de rua, que reunia e unia a alta sociedade e até os pés descalços. Era o carnaval de todas as gentes, de acordo com o gosto e os motes das campanhas institucionais do governo federal!

O carnaval de rua foi desaparecendo e inexplicavelmente também o carnaval dos clubes, à medida em que estes foram fechando as portas. O que acontece hoje – apesar do reconhecido empenho e patrocínio do poder público – é a inexistência daquele autêntico carnaval do povão. Existem, ainda, é verdade, as escolas de samba e blocos carnavalescos que ajudam a sustentar a grande festa da carne a cada ano, só que, conforme vão se modernizando, acabam virando indústrias, dependendo, sem dúvida, de sócios ou cotistas para o desembarque nas avenidas.

Entram, por outro lado, mais como complicadores do que estimuladores do nosso carnaval, os trios elétricos, com meia dúzia de músicos e pagodeiros em cima, enquanto cá embaixo o povão apenas faz coro, e olhe lá. É muito barulho e pouco carnaval! Por onde andam, por exemplo, os blocos sujos que tanto ajudavam a dar mais vida à mais importante festa brasileira que temos? Alguns dirão: ainda existem blocos desse tipo por aí. Pensamos que talvez sim, uns oito ou 10 espalhados pela Grande Vitória, mas o que é isso comparado com o passado?

O carnaval de rua hoje, apesar de grandemente industrializado, não chega, nem de longe, aos pés daquele realizado no tempo da nossa juventude. Imaginamos que alguém que esteja lendo este texto diga que é puro saudosismo de gente velha.

Confessamos que nunca fomos de pular carnaval para valer, mas experimentamos a era de ouro dessa festa fazendo transmissões radiofônicas ao vivo diretamente das ruas e dos clubes. Trabalhando nessa condição, vivenciamos de perto carnavais espetaculares, inesquecíveis, principalmente os de rua.
Perguntamos: o que falta para esse tipo de carnaval voltar a ser como nos velhos tempos, quando as pessoas de todas as classes sociais saiam juntas para comemorar e vibrar com esta festa tipicamente brasileira?

Será que o carnaval brasileiro precisa ser repensado? Será que não está na hora de fazermos isso? Talvez a Embratur tenha necessidade de começar a trabalhar essa idéia, já.

Alencar Garcia de Freitas é jornalista

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