- Izabel Mendonça, de Lisboa, Portugal
O que nos move são as perguntas, que organizam nossas dúvidas. Que não se calam e nos fazem seguir em frente. Os maiores empobrecimentos do mundo e as maiores violências nascem das certezas.
Os fundamentalistas são aquelas pessoas com certezas tão absolutas que matam e morrem por elas. E fazem isso não pelo que acreditam, mas porque estão tão radicalmente sem dúvidas que não admitem que o outro pense ou seja diferente.
A obsessão pela certeza é uma tentativa de eliminar o risco. O medo do risco imobiliza. O sujeito passa as quatro estações dentro de casa. Não pode sair no verão porque o sol forte pode provocar câncer de pele. É verdade, pode. Não pode sair no inverno porque pode pegar uma pneumonia. É…pode. Não pode sair na primavera: vai que as abelhas, assanhadas com o pólen, resolvem atacá-lo. Isso pode até matar. Não pode sair no outono já que as folhas caem, e um galho pode cair junto, bem na cabeça do cara. Quem pode garantir que não?
É isto que o medo faz: ele transforma a possibilidade, muitas vezes remota, em certeza. O medo é a certeza de que o pior vai acontecer.
- uma moqueca capixaba nos pagos de Lisboa, Portugal, autoria da mesma autora do texto. Competência, como já dizia minha mãezinha Dona Leó, não é para quem quer, é para quem tem.
E para completar, uma inspirada expectativa para o outro ano, que já consumiu janeiro:
Parar, andar, fechar , abrir.
Ficar, sair, preservar, transgredir..
Que a dúvida sempre me acompanhe nesse 2012.
Pois assim, inspirada, serei sempre eu, serei única, a filha única de sempre.
Nota do editor: textos assim aida vão incluir a autora no quadro de “publishers” do Portal Don Oleari Ponto Com. Ninguém perde por esperar (Oleari).
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