.
eu sempre penso
cumpre não olvidar que amor é um sorriso
e se por trás há um siso, não o deixo inflamar!
a força é bruta, esgarça a garganta, o canto
a farsa destorce a imagem que agiganta
num olhar de inocência, de sonho, de complacência…
tarântulas paralisam vozes e por vezes
o peito que se cala, se abala, se embola
não captura e não declama na hora h o verso inefável,
que arranca arrebite, arrebata o bote que se debate
num redemoinho de maledicências que surge
[de não raras e inóspitas
regiões abissais da natureza humana.
eu sempre estranho
palavras aveludadas que escapam de corações tacanhos,
enquant’outros se calam e se nutrem de sonhos
[de várias cores e tamanhos.
as tropas avançam com suas tripas amarradas e trapos
[amordaçantes
ocupando os territórios em que poetas e amantes procuram por
[suas quimeras!
e os dias se vão, mas as flores espargem viço e fragrâncias
da janela lá de casa, através das quais eu vejo a vida passar,
sem deixar o siso inflamar!
ocf
URL curta: http://donoleari.com/bompracabeca/?p=3138