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O machismo e outras verdades incontestáveis | Por Jocilane Rubert

20th agosto 2012   ·   1 Comment

Não me impressionaria com um passageiro que escandaliza o fato de uma mulher pilotar o avião, nem com os homens que ainda afirmam que as mulheres preferem carros ao invés de pênis, se esses (pré)conceitos não tivessem a mesma motivação dos fatos e índices apontados pelo site Quem o machismo matou hoje? As diferenças entre homens e mulheres existem e quem afirma o contrário ou é machista ou é iludido. Infelizmente a maioria se enquadra no primeiro grupo. As mulheres ainda hoje são tratadas como propriedade do homem, caso contrário, como justificar os conceitos de que “o menino pode” a “menina não”, a sociedade é fálica, desde a criação de seus filhos até seus monumentos históricos.

Quando nascia a menina era propriedade do seu pai, após o casamento pertencia ao marido, a quem devia total obediência, não lhe sendo possível se quer recusar o coito. Por séculos foi referência de pecado, sendo considerada pela cristandade como impura e por isso merecedora de toda sorte de flagelos. Justificativa semelhante foi dada pelos sacerdotes católicos à escravidão, os negros deviam ser capturados, torturados e postos em condições animalescas, pois não possuíam alma, haviam vendido-a ao demônio e a única forma de redenção era a tortura, física e psicológica.

Hitler também utilizou argumentos semelhantes, na sua busca pela raça pura, por territórios e outras coisas mais, cometeu genocídio, que com essa palavra tão pequena nem parece ter sido tão atroz, mas foi. As ditaduras seguiram linha similar para livrar a sociedade dos ameaçadores da honra, da dignidade e da família cristã, os socialistas. Não me atenho às questões políticas e econômicas motivadoras desses “líderes de movimento”, mas sim ao belíssimo discurso usado por eles para convencimento e manipulação da sociedade.

O fato é que o machismo, tal qual o racismo e a homofobia, estão enraizados na conjuntura social, presentes nas piadas, charges, chavões, falas que, muitas vezes, são ditas e replicadas sem que seu disseminador se dê conta do que ele está passando adiante.

Sem que a pessoa perceba que o que ela diz vai ao encontro de homens que batem e até matam suas companheiras porque essas optaram pela separação (pois eles são donos de SUAS mulheres e só eles podem decidir quando largarem-nas), dos chefes que assediam suas funcionárias (pois é normal de macho fazer isso), de homens que abusam e estupram (porque a mulher provoca com sua roupa decotada, curta e colada no corpo), afinal, mulher não é gente, é um subproduto do homem.

Ademais, é óbvio que a vítima é a culpada pelo crime, o homem é um animal instintivo que não responde por seus atos, logo, as fêmeas não devem provocá-los.

Devemos desde cedo ensinar nossas filhas que, antes de escolher suas roupas elas precisam analisar se elas não atraírão um animal carnívoro e tribal chamado homem; antes delas definirem onde ir e que horas retornar para casa, elas precisam refletir se esse local e horário não correspondem ao habitat natural do macho; antes de se apaixonarem e constituírem uma nova família elas necessitam se conscientizar de que essa decisão não tem volta, que elas não podem mudar de ideia, haja visto que pedir o divórcio é justificativa plausível para ser assassinada.

Devemos, ainda, ensinar aos nossos filhos que seu “piruzinhos” são o cetro do poder que domina o mundo, que eles podem tudo e que se uma mulher ousar desobedecê-los e provocá-los com suas vestimentas consideradas inadequadas eles devem utilizar toda sua força para corrigi-las.

Mas não, o machismo não existe, nem aqui e nem no Oriente:

Mais de 120 alunas são envenenadas por grupo que se opõe à educação de mulheres
Veja no linki:

http://oglobo.globo.com/mundo/mais-de-120-alunas-sao-envenenadas-no-afeganistao-4980893

Fonte:

Jocilane Rubert é Graduanda em Publicidade e Propaganda, colunista do Portal Iuuk, integrante da coletânea de poesias “8 vezes poeta” e autora do blog Grafia Cosmopolita: Planeta Terra · http://grafiacosmopolita.blogspot.com/

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Readers Comments (1)

  1. Bruno disse:

    Belo post, já tinha visto ele haha
    Masssss continua completamente verdadeiro, antes do sexo somos pessoas e como pessoas precisamos nos respeitar.

    Parabens pelo post, acredito que as coisas estão mudando, existe ainda, mas está mudando.





  • Don Oleari
  • Don Oleari
  • Radialista, jornalista, publicitário. Ex-Editor de Internacional e de Política de A Gazeta, Vitória/ES. Fundador do Jornal da Cidade, ex-Debate, Jornal do MDB (1968/1970). Fundador da Eldorado Publicidade, primeira agência do ES. No rádio: "Clube da Boa Música" na Rádio Capixaba; redator da Rede Tupi de Rádio e Televisão em São Paulo; "Jornal Agropecuário" e "Café da Manhã, Rádio Espírito Santo; "Jornal do Povo" no canal 6, TV Vitória, (março/85 a março/88). Ex-colunista diário do saiti seculodiario, de 2000 a 2005. Fundador do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do ES. Fundador da Associação e do Sindicato dos Radialistas do ES.
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