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O avesso do rótulo da Nestlé nas águas de São Lourenço/MG | Rubens Pontes

19th agosto 2012   ·   4 Comments

A Nestlé “faz bem” mal aos lençois de águas de São Lourenço/MG

Sugestão de leitura do jornalista Rubens Pontes, do Portal DOPC, o texto revela dados preocupantes sobre o que a mega multinacional pratica no Parque das Águas de São Lourenço: ela distribui, na verdade, uma água química, segundo estudiosos.

“o que for feito à Terra, será feito aos filhos da Terra.”

Na Hungria havia uma fábrica de chocolates, que vendia para o mercado interno e exportava para os países vizinhos e todo o Leste Europeu. A Nestlé comprou a fábrica, botou todos os funcionários no olho da rua, demoliu as instalações e saiu do país. A Nestlé não quer concorrência. Se houver…

Nestlé mata Água Mineral São Lourenço
(As águas turvas da Nestlé)

Há alguns anos a Nestlé vem utilizando os poços de água mineral de São
Lourenço para fabricar a água marca PureLife. Diversas organizações da cidade vêm combatendo a prática, por muitas razões. As águas minerais, de propriedades medicinais e baixo custo, eram um eficiente e barato tratamento médico para diversas doenças, que entrou em desuso a partir dos anos 50 pela maciça campanha dos laboratóriosfarmacêuticos para vender suas fórmulas químicas através dos médicos.

Mas o poder dessas águas permanece. Médicos da região, por exemplo, curam a anemia das crianças de baixa renda apenas com água ferruginosa.

Para fabricar a PureLife, a Nestlé, sem estudos sérios de riscos à saúde, desmineraliza a água e acrescenta sais minerais de sua patente. A desmineralização de água é proibida pela Constituição.

Cientistas europeus afirmam que nesse processo a Nestlé desestabiliza a água e acrescenta sais minerais para fechar a reação. Em outras palavras, a PureLife é uma água química. A Nestlé está faturando em cima de um bem comum, a água, além de o estar esgotando, por não obedecer às normas de restrição de impacto ambiental, expondo a saúde da população a riscos desconhecidos. O ritmo de bombeamento da Nestlé está acima do permitido.

Troca de dutos na presença de fiscais é rotina. O terreno do Parque das Águas de São Lourenço está afundando devido ao comprometimento dos lençóis subterrâneos. A extração em níveis além do aceito está comprometendo os poços minerais, cujas águas têm um lento processo de formação. Dois poços já secaram. Toda a região do sul de Minas está sendo afetada, inclusive estâncias minerais de outras localidades.

Durante anos a Nestlé vinha operando sem licença estadual e obteve essa licença no início de 2004.

Um dos brasileiros atuantes no movimento de defesa das águas de São Lourenço, Franklin Frederick, após anos de tentativas frustradas junto ao governo e à imprensa para combater o problema, conseguiu apoio, na Suíça, para interpelar a empresa criminosa. A Igreja Reformista, a Igreja Católica, Grupos Socialistas e a ONG verde ATTAC uniram esforços contra a Nestlé, que já havia tentado a mesma prática na Suíça.

Em janeiro deste ano, graças ao apoio desses grupos, Franklin conseguiu interpelar pessoalmente, e em público, o presidente mundial do Grupo Nestlé. Este, irritado, respondeu que mandaria fecharimediatamente a fábrica da Nestlé em São Lourenço. No dia seguinte, no entanto, o governo de Minas (PSDB), baixou portaria regulamentando a atividade da Nestlé.

Ao invés de aplicar multas, deu-lhe uma autorização, mesmo ferindo a legislação federal. Sem aproveitar o apoio internacional para o caso, apoiou uma corporação privada de histórico duvidoso.

Se a grande imprensa brasileira, misteriosa e sistematicamente vem ignorando o caso, o mesmo não ocorre na Europa, onde o assunto foi publicado em jornais de vários países, além de duas matérias de meia hora na televisão. Em uma dessas matérias, o vereador Cássio Mendes, do PT de São Lourenço, envolvido na batalha contra a criminosa Nestlé, reclama que sofreu pressões do Governo Federal (PT), para calar a boca. Teria sido avisado de que o pessoal da Nestlé apóia o Programa Fome Zero e não está gostando do barulho em São Lourenço.

Diga-se também que a relação espúria da Nestlé com o Fome Zero é outro caso sinistro. A empresa, como estratégia de marketing, incentiva os consumidores a comprar seus produtos, alegando que reverte lucros para o Fome Zero.

E qual é a real participação da Nestlé no programa?
A contratação de agentes e, parece, também fornecendo o treinamento.

Sim, é a mesma famosa Nestlé, que tem sido há décadas alvo internacional de denúncias de propaganda mentirosa, enganando mães pobres e educadores, para substituir leite materno por produtos Nestlé, em um dos maiores crimes contra a humanidade.

A vendedora de leites e papinhas “substitutos” estaria envolvida com o
treinamento dos agentes brasileiros do Fome Zero, recolhendo informações e gerando lucros e publicidade nas duas pontas do programa: compradores desejosos de colaborar e famintos carentes de comida e informação.

Mais preocupante: o Governo Federal anuncia que irá alterar a legislação, permitindo a desmineralização “parcial” das águas.

O que é isso? Como será regulamentado?

Se a Nestlé vinha bombeando água além do permitido e a fiscalização nada fez, como irão fiscalizar agora a tal desmineralização “parcial”? Além do que, “parcial” ou “integral”, a desmineralização é combatida por cientistas e pesquisadores de todo o mundo. E por que alterar a legislação em um item que apenas interessa à Nestlé?

O que nós, cidadãos, ganhamos com isso?
É simples. Sabemos que outras empresas, como a Coca-Cola, estão no mesmo caminho da Nestlé, adquirindo terrenos em importantes áreas de fontes de água. É para essas empresas que o governo governa? Uma vergonha!

Mais informações sobre o caso Nestlé em http://www.circuitodasaguas.org/

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Readers Comments (4)

  1. José Luiz Gobbi disse:

    Vergonha! Fizeram o mesmo com o nosso chocolate! O bombom que era Garoto, virou um velho, enrugado e sem gosto Idoso Não dá para comer! Antigamente, eu levava os nossos bombons para amigos distantes, cheio de orgulho. O bombom de minha terra! Hoje, tenho vergonha dessa porcaria que a Nestlé fabrica. Acabaram com o nosso chocolate!

  2. Geraldo Hasse disse:

    Sacanagem! Durante anos aqui em casa a gente consumia uma barra de chocolate Garoto de 200 g por dia. Mas o produto ficou ruim, amargo, com gosto de queimado. Paramos de consumidor. A Nestlé f(*) o Garoto.

    • Don Oleari Don Oleari disse:

      Hasse, meu caro, você está cberto de razão: a Nestlé phodeu o Garoto. No mais, quinemqui diz o nosso celebridade José Luiz Gobbi, “idoso não dá para comer”…kkkkkkkk. Mas, Hasse e Geraldo, tem uma colega nossa fazendo um excelente chocolate artesanal a partir de chocolate belga em Jardim Camburi. É a jonralista Lena Mara na Azteca gourmet, café, chocolateria, gelateria. Está terminando a reforma da sala de recepção, mas funcionando com um bom cardápio. O café expresso também é muito bom, entre várias receitas à base de chocolate belga. Completando este “comercial”, o endereço, nememo? Avenida Ranulpho Barbosa dos Santos 740, loja 5, esquina com rua Silvino Grecco – em frente à pizaria Paparazzi, que fica ao lado do Bar Caiana.
      Vindo pela avenida Dante Michelini, entrando na rua CArlos Martins – a do Hotel Canto do Sol – no primeiro sinal, virar à direita, uns cinquenta metros adiante.
      Ainda está com a placa do nome anterior, Chocolateamo.

  3. Isso é um absurdo!
    A nossa revolta não tem tamanho diante de tão graves denúncias!
    A quantas chegaram estes seres gananciosos que não merecem sequer o título de humanos, gente!
    Comprovam eles tão somente que não visam outra coisa senão o lucro fácil e vão derrubando implacavelmente tudo o que encontram pela frente, tais como empresas menos dotadas de recursos, apenas para vencer a tudo e a todos na ânsia do enriquecimento ilícito e destrutivo e, para chegar a tanto, também agredindo o meio-ambiente da maneira mais covarde sem levar em consideração o respeito que ele merece.
    A mais justa indignação nos acomete diante de tal situação, deplorável em todos os sentidos.
    Até quando seremos obrigados a testemunhar a ambição desmedida de certa classe de seres humanos que nem merecem receber esse tratamento?
    Só nos resta repetir, desolados e também irados, as palavras de Cristo: “Raça de víboras!
    Até quando os suportaremos?”





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