As CPIs e as jogadas políticas | Alencar Garcia de Freitas
27th julho 2012 · 0 Comments
Escrevemos, outro dia, falando da nossa descrença em CPIs e ao mesmo tempo fazendo uma ilação de eventuais interesses e objetivos do PT e demais partidos da base aliada do governo na CPMI do mensalão. Foi o suficiente para que o internauta Luiz Claudio Vieira Lopes comentasse o nosso texto com ira leonina, inclusive nos considerando reacionários, talvez por não conhecer a nossa trajetória de vida nesses últimos 50 anos: bancário, radialista, sindicalista, jornalista, líder comunitário e também executivo de várias organizações empresariais, sim, organizações empresariais – como ainda hoje – mas sem nunca renunciar ao que existe de mais importante: a liberdade de expressão, mesmo nos tempos de chumbo!
Concorde ou não o ilustre internauta, não precisa ser analista ou cientista político e menos ainda jornalista para saber que as CPIs, na maioria das vezes, nascem e morrem de acordo com os motivos políticos que as justificaram. Explicando melhor: de acordo com as jogadas políticas.
Foi assim desde que nascemos e será assim por toda a vida, aqui e em qualquer outro lugar do nosso planeta. Geralmente os mesmos que inflam as CPIs, dependendo dos ventos, se favoráveis ou não, são os que as esvaziam lá na frente. O ilustre jornalista Luís Nassif diz que “dois tipos de pessoas são as vítimas preferenciais” das CPIs: homens públicos (que dependem da imagem) e pessoas honestas (que prezam a imagem).
A única CPI (ou CPMI) que nas últimas décadas deu certo até o fim foi a que resultou no impeachment de Fernando Collor de Mello, mesmo assim porque faltou a ele habilidade política ou jogo de cintura; se tivesse sabido jogar as cartas direitinho teria ido até o final de seu mandato são e salvo.
Outros presidentes, antes e depois dele, fizeram muitíssimo pior do que ele – e não era o caso de apenas uma Elba mas de milhares delas – no entanto continuam posando aí de bons mocinhos e de heróis do sertão. Tivemos uma ligeira incursão em atividade política, mais como profissional de assessoria política e menos como político propriamente dito, quando defendemos de unhas e dentes, lá atrás, que o PL, de Álvaro Valle e Jones Santos Neves Filho, foto, se coligasse com o PT, para que os trabalhadores conseguissem chegar ao poder.
Participávamos das reuniões do PL usando a camisa “Lula lá lá”. Isso criou um certo mal-estar a ponto de Joninho ser confrontado pelos demais membros do diretório dizendo que era um acinte participarmos das reuniões do partido usando camisa com um apelo daquele. Acreditávamos tanto na proposta do PT – nunca fomos filiados a ele, é bom que se diga – que fazíamos campanha aberta em todos os lugares, até mesmo na hora de votar.
Fizemos a aproximação de Vitor Buaiz com os empresários, tanto na sua candidatura para prefeito de Vitória como para governador. Decepcionados com o PT – e olha que nunca pleiteamos nenhum cargo político nessas administrações! – perdemos, por completo, o encanto que tínhamos por esse partido. Ouvimos certa vez de um experiente político capixaba que oposição é como macarrão, basta colocá-lo na panela que logo amolece!
Alencar Garcia de Freitas é jornalista

