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Minha trajetória | Alencar Garcia de Freitas

26th julho 2012   ·   0 Comments

- a ilustração foi utilizada pelo antecessor do Portal DOPC, o Blogui Don Oleari e pelo excelente The New Ynhoque Times, um blogui de iscrachumor reito em Cachoeiro do Itapemirim por Manoel Manhães, Roney Moraes e Valério Depollo. Infelizmente, o blogui foi desativado.

Não tinha a intenção de escrever textos sobre a minha trajetória: bancário, líder comunitário, líder sindicalista, radialista e jornalista, iniciada em Aimorés, MG, continuada em Vitória em 1957. Motivos básicos: 1) escrever sobre a gente mesmo é meio complicado (outros é que devem fazer isso, de preferência depois da partida da gente para a cidade dos pés juntos); 2) tenho, em andamento, o projeto de um livro com artigos, crônicas, comentários e poemas, que está sendo tocado pelo meu filho mais velho Jorge Alencar (nesses textos falo pouco sobre a minha trajetória).

Acontece que o meu guru Oswaldo Oleari, editor do Portal Don Don Oleari Ponto Com, há muito vem incentivando para escrever sobre as minhas incursões profissionais.

Na minha cidade, ainda bem jovem, trabalhei na Rádio Aimorés, como locutor, e no Banco Hipotecário, como caixa. Transferido para Vitória, em 1957, foi aqui, no Espírito Santo, que a minha trajetória como radialista, bancário, jornalista, líder sindicalista e líder comunitário teve maior ênfase. Na década de 1960, atuei fortemente como líder comunitário, sindicalista e nessa condição chefiava piquetes de greves dos bancários; como radialista fui superintendente da Rádio Capixaba, emissora do Arcebispado de Vitória, o veículo de comunicação que mais sofreu perseguição por parte da ditadura militar, e eu, mais ainda.

Era raro o dia em que a redação do jornal falado Rota Noticiosa – edições da manhã e da noite – não era invadida pelo pessoal da censura. Eu, como diretor responsável, perdi a conta das vezes que fui parar no 38º BI (em Vila Velha), na sede da Polícia Federal (Avenida Vitória) e no DOPS (Bento Ferreira); algumas vezes saindo de lá quando o dia estava amanhecendo.

Lá, era submetido a pesados interrogatórios. Nunca recuei um centímetro sequer da defesa que fazia – e continuo fazendo até hoje – da democracia, da liberdade de imprensa e de expressão e de um Congresso soberano e independente. Nunca deixei de atender qualquer convite para debater esses temas em reuniões com líderes comunitários e com estudantes. Às vezes estavam dentro dos auditórios, enquanto eu falava, agentes da repressão, que logo depois me “convidavam” a comparecer àqueles órgãos para dar novas explicações.

Em uma ocasião, enquanto chefiava um piquete de greve em frente ao Banco do Brasil na avenida Jerônimo Monteiro, tive que encarar, com os companheiros, um pelotão do Exército que foi lá para botar o grupo para correr. Não arredamos pé. A nossa determinação fez com que os militares se recolhessem sem levar ninguém em cana. Perdi a conta também das vezes que fui tirar colegas radialistas e jornalistas das mãos da repressão.

Depois da ditadura militar, com a redemocratização, e até os dias de hoje, não tenho perdido uma só oportunidade de defender a democracia e a alternância no poder – e quando falo em alternância estou defendendo a constante troca de grupos partidários no comando do município, do estado e do país, a fim de evitar os mesmos mandando ad eternum, que é outro tipo de ditadura, tão perigosa quanto qualquer outra.

Foi por essas e outras que defendi, lá atrás, que o então PL se coligasse com oPT para chegar ao poder; participava das reuniões do PL com esse discurso e usando a camiseta Lula lá lá! Tenho absoluta consciência de estar fazendo a minha parte em favor dos postulados da verdadeira democracia!

Alencar Garcia de Freitas é jornalista

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  • Don Oleari
  • Don Oleari
  • Radialista, jornalista, publicitário. Ex-Editor de Internacional e de Política de A Gazeta, Vitória/ES. Fundador do Jornal da Cidade, ex-Debate, Jornal do MDB (1968/1970). Fundador da Eldorado Publicidade, primeira agência do ES. No rádio: "Clube da Boa Música" na Rádio Capixaba; redator da Rede Tupi de Rádio e Televisão em São Paulo; "Jornal Agropecuário" e "Café da Manhã, Rádio Espírito Santo; "Jornal do Povo" no canal 6, TV Vitória, (março/85 a março/88). Ex-colunista diário do saiti seculodiario, de 2000 a 2005. Fundador do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do ES. Fundador da Associação e do Sindicato dos Radialistas do ES.
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