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Os programas humorísticos | Alencar Garcia de Freitas

13th julho 2012   ·   0 Comments

As emissoras de televisão e rádio já estão bem nutridas e ficarão mais bem nutridas ainda com a entrada em cena, nos próximos dias, dos novos programas eleitorais gratuitos, quando conheceremos humoristas com nomes e apelidos dos mais estranhos, e mais estranhas com certeza serão as propostas dos candidatos a prefeito e vereador. Em alguns casos vamos rir para valer, noutros pode dar até para chorar.

A idéia de programas eleitorais gratuitos – que de gratuitos mesmo não tem quase nada porque de custo de produção elevadíssimo, com “atores” caríssimos – foi genial. A intenção, pelo que se sabe, era democratizar, ao máximo, a distribuição do tempo e dos espaços destinados aos candidatos, distribuição essa – maior ou menor – de acordo com o tamanho de cada partido. Só que de uma eleição para outra, de dois em dois anos, os programas eleitorais gratuitos vão ficando cada vez mais sofisticados, bastando que os partidos tenham caixa para isso.

Existe um lado para considerar nesses programas que não dá para rir, que é a propaganda enganosa, tão comum da parte de muitos candidatos. Às vezes prometem que, eleitos, vão combater sistematicamente a corrupção, e quando se elegem são os maiores corruptos da política. Prometem ser contra o nepotismo; eleitos, empregam seus parentes e aderentes nos gabinetes dos seus colegas, evitando fazê-lo em seus próprios gabinetes para não chamar atenção da mídia. Prometem legislar em favor do interesse público, mas na verdade legislam em causa própria, Prometem fiscalizar, no caso dos legisladores, o poder executivo e acabam se somando a ele mais por interesse corporativo e menos por interesse público.

O pior de tudo é que durante os meses da propaganda eleitoral gratuita os telespectadores e os ouvintes não têm como fugir desse suplício porque todos os canais estarão transmitindo, em cadeia, um montão de humoristas fazendo as mesmas encenações e promessas sabendo que não vão cumpri-las.

A legislação eleitoral está cada vez mais severa, mas precisa ser ainda mais severa, criando mecanismos eficientes de acompanhamento e punição destinados a barrar os candidatos que fazem promessas absurdas com o objetivo de enganar os eleitores e, por meio de mecanismos dessa natureza, tirar do ar, se for o caso, qualquer tipo de propaganda visivelmente enganosa.

Se o eleitor fosse mais consciente, dispensar-se-ia qualquer tipo de mecanismo como o agora sugerido, porque teria capacidade, por si mesmo, de descobrir, de cara, quando o candidato está pretendendo enganá-lo, mas infelizmente ainda não somos eleitores em condições de detectar, a tempo, se os candidatos estão querendo nos enganar.

Alencar Garcia de Freitas é jornalista

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