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Pequenos ditadores | Alencar Garcia de Freitas

4th julho 2012   ·   2 Comments

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Os grandes ditadores sempre meteram medo no mundo. Infelizmente ainda existe um montão deles por aí. Mas não queremos falar sobre os grandes e sim sobre os pequenos ditadores que vêm aterrorizando as comunidades em geral, e eles começam assim dentro de suas próprias casas, passando depois para as escolas e para as cidades. Eles mandam nos pais, nos avós, nos irmãos mais velhos e nos professores.

A culpa maior, em primeiro lugar, é dos próprios pais que não põem limites para os pequenos ditadores de hoje e grandes ditadores de amanhã. Quando querem alguma coisa esperneiam, agridem fisicamente e xingam palavrões capazes de corar o monge, como se dizia antigamente.

Depois vêm os legisladores, os sociólogos, os psicólogos, educadores e juízes que acham e advogam que as crianças precisam de ter ampla e total liberdade para fazer o que bem entendem. As crianças crescem sem limites, fazendo tudo o que lhes vêm à cabeça. O resultado é esse que vemos por aí: o aumento cada vez maior da população de menores infratores que, logo depois, transformados em marginais perigosíssimos – assaltantes de bancos, traficantes, assassinos – põem a sociedade em constante sobressalto. Cresceram achando que são donos do mundo e portanto podem todas as coisas.

Insistimos que a primeira culpa é dos pais, sim, porque não impõem limites para os filhos quando ainda pequenos; o outro problema de muitos pais é o mau exemplo que dão, ficando assim sem moral para fazer valer sua autoridade. Vimos outro dia uma cena, um mau exemplo dado por um pai.

Estávamos no ponto esperando o ônibus para o trabalho e lá estava uma família – o casal e quatro crianças: uma menina supostamente de uns 12 anos e os outros três, aparentando 10, oito e seis anos. Todos bonitos, bem-vestidos e saudáveis.

Quando o ônibus chegou, eles passaram grosseiramente na minha frente e na frente do próprio casal. O cidadão que os conduzia – cremos que o pai – gritou lá de fora: saltar! E os quatro saltaram a roleta, um a um, deixando os passageiros assustados talvez mais pelo comportamento ditador do líder do grupo.

Que exemplo ele estava dando para os menores? Um passageiro bastante jovem comentou: esses são os mesmos que daqui a pouco, mais na frente, estarão assaltando à mão armada por aí.

Há muitos anos, o desembargador Mário da Silva Nunes, de saudosa memória, foi assaltado por alguns menores infratores no Centro de Vitória, sendo literalmente derrubado no chão. Quem o conheceu sabe que era uma extraordinária figura, muito educado, de uma fineza indiscutível, sempre bem vestido de branco. Algumas pessoas que viram a cena, com ele caído no chão, foram ao seu socorro e perguntaram: doutor Mário, não é bom chamarmos a polícia? E ele, levantando-se, respondeu, inclitamente, não, porque nós é que somos responsáveis por isso!

Hoje, quando vemos o nome do desembargador Mário da Silva Nunes emblemando o prédio que abriga menores infratores na entrada da sede de Cariacica, imaginamos que a homenagem não poderia ser mais justa do que essa!

Cada um de nós tem uma cota, por mínima que seja, de responsabilidade pela existência de uma multidão incalculável de pequenos ditadores que povoam os nossos lares e as nossas cidades.

Alencar Garcia de Freitas é jornalista

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Readers Comments (2)

  1. Luiz Claudio Vieira Lopes disse:

    Isso aconteceu comigo em Campinas, acho que em 2006!
    Estava na fila do caixa, e na época eu não usava pochete – a carteira ficava no bolso da calça, atrás.
    Estavam um casal, uma sogra, e um molequinho dentro do carrinho, logo atrás de mim. Acho que tinha uns três a quatro anos.
    De repente, o pivete desgraçado mete a mão no meu bolso e puxa a carteira, rindo como se fosse brincadeira!
    A avó, ao invés de mandar ver no esporro, ainda disse: “Olha que bonitinho! Pegou a carteira do moço!”
    Em seguida, virei e falei: “É! Realmente! Está aprendendo bem o futuro ofício! Parabéns!”
    A velha ficou pau da vida com meu comentário!
    E o casal não disse nada! Ficaram parados com cara de pastel, cara de assistentes do Jornal Nacional e leitores da Veja!
    Bando de vagabundos!
    No mínimo, esse pivete já deve ter passado por alguma Febem!





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