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Mídia militante | Alencar Garcia de Freitas

2nd junho 2012   ·   0 Comments

A mídia militante, nascida nos Estados Unidos como media advocacy, em respostaaos anseios das minorias sociais nem sempre pautadas pelas grandes mídiasnorte-americanas, tem conseguido lá, e, ultimamente, também nos Brasil e paísesvizinhos, espaços até então inimagináveis, com a finalidade de conquistar aopinião pública para suas bandeiras. Alguns exemplos de sua eficácia são asações afirmativas de políticas públicas direcionadas para questões como AIDS,meio ambiente, deficientes físicos e visuais e tratamento igualitário paranegros, dentre outros.

Permitam-meo leitor e o internauta estar recorrendo, de novo, à minha experiênciaprofissional de 40 ou 50 anos, mais como radialista e menos como jornalista,quanto a esse tipo de mídia, que ainda não existia, praticamente, naquelaépoca, mas já a praticava na emissora, do Arcebispado, por orientação de domJoão Batista, que tinha como preocupação básica que temas de interessedas minorias sociais fossem pautados pelos editores das grandes edições dojornal falado, de manhã e de noite, daí a marcação cerrada dos órgãos decensura em cima da Rádio Capixaba e de seus jornalistas.

Aprendi com dom João e padre Valdir de Almeida, meu antecessor na Superintendência da emissora católica, que as causas das minorias sociais tinham que ter prioridadev (quem não se lembra dos desabrigados das chuvas e enchentes, abrigados dentro da Catedral Metropolitana de Vitória, daí a grita geral das maiorias sociais?).

É inquestionável que a mídia militante não é a “menina dos olhos” dasbgrandes mídias!

Para que a mídia militante opere com mais independência e profissionalismo social é preciso que os jornalistas sejam realmente comprometidos com essa causa e que esse trabalho esteja ancorado em uma ONG. Não pode ser jornalista do tipo “a voz do dono”.

Pode parecer um tanto utópico a defesa de uma mídia militante em um mundo operado, na maioria das vezes, pelos poderosos que influenciam todas ou quase todas as ações públicas.

Não fosse a mídia militante conscientizando e mobilizando a opinião pública em favor de causas como as citadas acima, os brasileiros não teriam conquistado benefícios sociais tais como passe livre para idosos nos transportes, atendimento prioritário para deficientes físicos em geral, isenção de imposto de renda para portadores de doenças incuráveis em fase terminal, combate sistemático da homofobia, ações de proteção a mulheres vítimas de violência e dezenas de outras conquistas que só foram alcançadas graças a presença da mídia militante que, de certa forma, conseguiu conquistar também a simpatia de uma parte significativa da grande mídia.

Alencar Garcia de Freitas é jornalista

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