Lisboa, quem és tu que me acolhes, e que me faz tão bem? | Por Izabel Mendonça
27th abril 2012 · 2 Comments
- A jornalista brasileira do Espírito Santo faz uma declaração de amor em homenagem a Lisboa.
- Izabel Mendonça, Correspondente do Portal Don Oleari Ponto Com em Lisboa, Portugal.
Lisboa, quem és tu?
“Atenção, senhores passageiros, é favor apertarem os cintos de segurança, levantarem as mesas e endireitarem as costas das cadeiras. Dentro de instantes aterraremos no aeroporto de Portela, em Lisboa”.
É assim que se chega à capital do país, vindo dos céus. Lá do alto, aterrando pelo sul, vê-se as areias da Caparica, o estuário do Tejo, a Ponte 25 de abril, a Torre de Belém, o Cemitérios dos Prazeres, e a Basílica da Estrela, as Amoreiras, as Avenidas Novas, a segunda Circular, a Lisboa dos Descobrimentos e a do Século XXI.
O que esconderá essa cidade? “Lisboa, quem és tu”?
Penso que é uma ligação de passado, presente e futuro, história, tecnologia e patrimônio Cultural.
- Praça do Comércio em Lisboa
Uma cidade de comércio e turismo que viveu autos de fé, mas implantou a tolerância. É uma cidade boêmia e, por isso, é a minha cara. Também é uma cidade vaidosa, fashion, poética. É a cidade das coisas simples e também da monumentalidade: os azulejos, Torre de Belém, os monumentos no Rossio.
É a cidade do terremoto e também do renascimento das cinzas, é a cidade Fênix, com cheiros e aromas característicos e de culinária maravilhosa. Lisboa, quem és tu? É a cidade doce que encanta os pequenos como o sabor do pastel de nata, herança do mosteiro dos Jerônimos.
Lisboa, quem és tu que me acolhes, e que me faz tão bem!(Izabel Mendonça).
“Quero meu contrato”
Para relembrar meus tempos de militante, quando era ainda uma adolescente lá no Brasil, resolvi ver de perto a greve geral dos portugueses e admito; peguei o cartaz com os escritos: “QUERO O MEU CONTRATO” e até participei. Posso dizer que: vida de imigrante é assim, tem a hora de passear, namorar, estudar, trabalhar, divertir, reclamar, e tem a hora, até, de participar de greve geral, ou pelo menos tentar ver que bicho vai dar.
- Greve geral em Portugal, concentração na Praça do Rossio.
Confesso que esperava mais desse tão falado movimento, afinal o povo foi convocado para vir às ruas, e, diante de tanta crise, de tanta reclamação por parte da população com relação às tais medidas econômicas adotadas pelo Governo Português, pensei “cá com meus botões” que a Sociedade Civil Organizada em peso fosse aderir à greve.
Ledo engano. Na verdade, tinha alguns “gatos pingados” que não sabiam o que estavam lá a fazer. Uns seguravam cartazes, outros manifestantes estavam agitados, andando de um lado para o outro, entregando panfletos, muitos idosos a cantar e a andar nas ruas da Baixa Chiado até a Assembleia da República, enfim, faltou um pouco mais de adesão da população, de jovens e estudantes conscientes, faltaram os “caras-pintadas” de Lisboa.
No entanto, sei que aqui em Portugal não há histórico de sindicatos e sei também que o povo por si só é meio ordeiro, para não dizer comodista, do tipo que deixa pra depois, acostumados a pegar a senha e aguardar a vez ou seja, percebo que poucos parecem de fato se envolver a fundo nas questões sociais do país, etc e tal.
Pensei que em um dia como o da Greve Geral as pessoas fossem se entregar de corpo e alma, e que a maioria estaria nas ruas protestando, lutando, exigindo mudanças. Percebi então que aqui se reclama demais e fica só nisso mesmo. Nas ruas havia um policiamento tático, ostensivo. Eram policiais por todos os lados, muitos carros e viaturas. É importante ressaltar que não havia ao meu ver necessidade de tanta gente.
Também não havia necessidade de um repórter fotográfico ser agredido por um agente da polícia (PSP). Será essa agressão um “cala a boca”? Será essa uma forma de censura? Digo isso porque a fotógrafa estava a trabalho para AFP News, Agence France-Presse).
Ainda sobre eles: a polícia deteve uma pessoa e pelo menos três ficaram feridas. Pra mim, de qualquer maneira, foi uma jornada positiva, com participação de alguns trabalhadores, e também de diversos sectores de actividade. Penso que assim o povo vai refletindo e vendo como era Portugal e como está actualmente.
Uma coisa é importante frisar: a disponibilidade de muitos trabalhadores que, independentemente do seu enorme sacrifício, e de, em alguns casos, terem que abdicar de um dia de salário, assumiram que não aceitam esta revisão da lei laboral e demonstraram que estão disponíveis para exigir que esta legislação não avance.
Acredito assim que, por outro lado, eles estão a exigir respostas alternativas aos seus problemas, que neste momento são muitos e não param de se agravar com as políticas económicas que estão em movimento (Izabel Mendonça).
Izabel Mendonça é jornalista
Correspondente do Portal Don Oleari Ponto Com em Lisboa, Portugal.
By Don Oleari




Recebi do Pedro Mendonça – baraocorreamendonca@hotmail.com -
27 abr (2 dias atrás)
Parabens Oleari pela bela, em todos os sentidos, aquisição da competente jornalista Bebel Mendonça aos quadros de correspondente from Portugal. Sempre soube, que esta menina iria longe. Sou Bebel Mendonça, desde criancinha. Acompanho-a desde os tempos da revista Sim e sempre me encanto com sua ousadia, sua perspicácia e presença de espirito na procura da notícia e do fato novo que muitas vezes esta ali, mas nimguem viu. Seu faro de foca ainda vai lhe render muitos prêmios.
Parabens, Oleari. Acredite nesta moça, invista nela pois creio que o jornalismo capixaba ainda vai se orgulhar muito mais desta pequena. Pedro.
Pedro, meu caro, brigadúúúúú…Concordo plenamente com você. E aqui estamos muito felizes de contarmos a Izabel e o Bruno no velho mundo.