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Capitalismo de Estado | Rubens Pontes

21st abril 2012   ·   0 Comments

China 5

Com este, o jornalista Rubens Pontes fecha a série de artigos sobre a gigantesca China, que, segundo o jornalista, retoma seu lugar de “centro do mundo”.

Em “A soma e o resto – um olhar sobre a vida aos 80 anos“ (*) Fernando Henrique Cardoso faz lúcida análise sobre a convivência da política com a economia na China do Século XXI.

O ex-presidente lembra que a China seguiu uma trajetória curiosa, mantendo o poder de controle do Partido Comunista ao mesmo tempo em que fez um pacto entre o Estado e as multinacionais e depois com os capitalistas chineses.

- “Os dirigentes chineses dão diferentes nomes a esse arranjo bastante inédito: uma sociedade harmoniosa, uma era de convergência, etc”, escreve FHC. Qualquer que seja a definição, no entanto, a realidade é que a China caminha para uma outra formação sociopolítica em que se mantém, acima de tudo e de todos, o poder do Partido.

A despeito dessa postura política radical, o ideal de liberdade continua a aflorar desde o episodio da revolta estudantil na Praça da Paz Celestial. O governo ainda prende seus dissidentes, liberta, impõe restrições, tenta controlar a internet, mas, observa o ex-presidente, a coerção física direta diminuiu.

É provável que um chinês médio tenha hoje um grau de liberdade individual que nunca teve antes na história do país. Observa-se a existência de coexistência entre os setores público e privado. A China vive um outro momento.
Do nosso lado, o Brasil foi favorecido com a entrada vigorosa da China no mercado de commodities, já que temos grãos e minerais para os quais a demanda é cada vez maior.

Não deixa de ser curioso registrar que é graças à China, um dos três últimos e o mais importante reduto comunista do mundo, que os países ocidentais continuam avançando, embalados pelo assombroso desenvolvimento do país e sua crescente demanda por produtos agrícolas e por minerais.

Grande compradora da dívida dos Estados Unidos, para a China se deslocam grandes multinacionais americanas e europeias para produzir na terra de Mao Tse Tung, e de lá exportar para o resto do mundo a marca “made in China”. Fenômeno inimaginável há poucas décadas, esse “capitalismo de Estado”, com poder político centralizado, vai aos poucos, lenta e firmemente, ditando regras no processo de produção de bens destinados ao consumo nos países de regime capitalista (Rubens Pontes).

(*) Editora Civilização Brasileira, 2011

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