Coveiro e lixeiro, os nobres – por Alencar Garcia de Freitas
16th fevereiro 2012 · 0 Comments
- Em Arapiraca, Alagoas, prefeitura comemora Dia do Gari (16 de maio) com festança e sorteios de premios valiosos.
Enquanto eu e minha mulher aguardávamos o “buzão” que nos levaria ao trabalho, no Centro de Vitória, nasceu a idéia deste texto, como uma homenagem, pela segunda vez, aos coveiros e coletores de lixo, nobres profissionais, indispensáveis à vida de todos nós.
Temos o maior respeito, consideração e reverência por esses profissionais, por cujas mãos têm passado todas as classes de pessoas – do mais humilde cidadão ao presidente da República, quando baixam à sepultura – e o lixo nosso de cada dia.
Não sabemos quantos têm observado o modo circunspecto e nobre de um coveiro quando cuida do sepultamento de um corpo, sendo ele de um simples operário ou de um presidente da República, motivando silêncio absoluto dos que acompanham a derradeira homenagem ao morto. No caso do coletor de lixo, indiferente ao tremendo mal cheiro com que convive no seu dia a dia, consegue cantarolar, rir e gritar palavras de ordem cheias de entusiasmo. Ambos, apesar de receberem minguados salários, cumprem, com demonstrações de otimismo e respeito, os deveres a que estão obrigados.
O que seria de todos nós não fossem a presença e a ação dos coveiros e dos coletores de lixo que nos servem com tanta dignidade. Com certeza ninguém suportaria viver em uma comunidade com corpos insepultos e lixos espalhados por todos os lados. Às vezes, no entanto, tratamos esses profissionais com desdém e até com repugnância, como se não fôssemos totalmente dependentes deles, trabalhadores de enorme importância para o nosso dia a dia. Imaginemos coveiros e lixeiros entrando em greve ao mesmo tempo, o que seria de todos nós? Aí, sim, é que a cidade viraria um verdadeiro pandemônio.
Insistimos, como em nosso artigo anterior, que os coveiros e coletores de lixo deveriam ser mais bem-pagos, valorizados, respeitados e homenageados em praça pública pelos extraordinários serviços que prestam a todos nós. No caso dos primeiros, os cemitérios deveriam receber nomes de coveiros falecidos; quanto aos coletores de lixo, os nomes dos falecidos deveriam ser colocados em avenidas, praças e ruas, de acordo com os bairros em que trabalharam. Tais homenagens deveriam ser antecedidas de carinho, respeito e reverência quando ainda estejam vivos.
Sempre que os vereadores querem agradar famílias de pessoas importantes, falecidas, cuidam logo de apresentar projetos destinados a nominar avenidas, praças e ruas com nomes dos mortos. Por que não fazem isso com os coveiros e coletores de lixo?
Alencar Garcia de Freitas é jornalista.

