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Algas, sal-gema e artêmias em Conceição da Barrra/ES, por Cacau Monjardim

9th fevereiro 2012   ·   1 Comment


- O Trapiche, velha construção que fez parte do porto por onde eram exportadas madeiras. Atualmente, restaurante de um hotel.

Houve um tempo, quando o Instituto Techonológico de São Paulo, uma das entidades mais sérias e conceituadas no campo da pesquisa nacional, apontava o litoral do Estado do Espírito Santo como detentor do maior banco de laminarias sp do hemisfério sul, destacando os aspectos biológicos e econômicos das algas marinhas.

Convivemos durante um longo período com os biólogos Neyla Queje e Eurico Cabral de Oliveira Filho, conhecedores e pesquisadores que defendiam, com dados incontestáveis, o valor da maior floresta de laminarias do país, colocando em grau de importância a produção do ácido algínico, seus sais e ésteres.

Para se avaliar, em termos apenas superficiais, a influência da nossa floresta de laminarias, em profundidades econômicas e viáveis no litoral de Conceição da Barra, será oportuno identificar a multiplicidade de seu uso industrial, onde é presença no segmento de alimentação (cremes, pudins, sorvetes, queijos, preservação de carnes e peixes, xaropes, produtos dietéticos, entre outros), na indústria farmacêutica (cosméticos, cápsulas, suspensão de antibióticos e linhas e gazes cirúrgicas) e em outros segmentos industriais (cerâmica, tintas, moldes especiais, borracha, produtos de limpeza, tecidos e papéis) chegando na prática a ultrapassar uma centena de aplicações e usos.

Conceição da Barra, apesar do esquecimento que nós temos emprestado ao seu potencial de riquezas terrestres e marinhas, ainda detém a maior jazida de sal-gema da América Latina, com uma reserva estimada pela Petrobras em cerca de 19 milhões de toneladas, com índices de cloreto de sódio que chegam a 95% e com extensão de 60 quilômetros, em lâmina de 120 metros de espessura.

Como as algas marinhas, a sal-gema também tem variada utilização mercadológica, valendo destacar que é matéria prima para a produção de porcelana, têxteis, armas bélicas, borracha sintética, óleos vegetais, produtos farmacêuticos, inseticidas, tintas, purificação de gazes, fertilizantes, corretivos agrícolas, tratamento de sistemas de abastecimento, transformando-se, sem dúvida em matéria essencial ao desenvolvimento da vida moderna.

Volta a nossa esquecida Conceição da Barra, mais uma vez, a sofrer a desatenção de nossas lideranças. Lá está, também, a maior produção de artêmias do Brasil. É um crustáceo, hoje felizmente de interesse de grupos franceses, que tem grande futuro industrial, porque é rico em proteínas, vitaminas e sais minerais. É o alimento ideal para alimentar cardumes, oferecendo, ainda, condições de combate ao raquitismo, produzindo o caresteno e assegurando a produção do famoso ômega 3.

Parafraseando Paulo Leminski, eu diria: Em Conceição da Barra “Haja hoje para tanto ontem.”

Cacau Monjardim é jornalista e Diretor da Fundação Jônice Tristão.

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Readers Comments (1)

  1. Zanatta disse:

    -Parabéns meu velho amigo pelo feliz comentário….





Sobre o autor
  • Don Oleari
  • Don Oleari
  • Radialista, jornalista, publicitário. Ex-Editor de Internacional e de Política de A Gazeta, Vitória/ES. Fundador do Jornal da Cidade, ex-Debate, Jornal do MDB (1968/1970). Fundador da Eldorado Publicidade, primeira agência do ES. No rádio: "Clube da Boa Música" na Rádio Capixaba; redator da Rede Tupi de Rádio e Televisão em São Paulo; "Jornal Agropecuário" e "Café da Manhã, Rádio Espírito Santo; "Jornal do Povo" no canal 6, TV Vitória, (março/85 a março/88). Ex-colunista diário do saiti seculodiario, de 2000 a 2005. Fundador do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do ES. Fundador da Associação e do Sindicato dos Radialistas do ES. Escreve veizincando no caderno "Pensar" do jornal A Gazeta de Vitória/ES.
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