Greve da Polícia Militar da Bahia, por Tina Maria Figueiredo
7th fevereiro 2012 · 1 Comment
Governistas e oposicionistas ficam a nos cobrar apoio incondicional, ou seja, ou você é a favor do movimento grevista ou você é a favor do governo.
Ora! Essa postura não acrescenta nem para a resolução desta situação atual, a greve dos PMs, nem contribui para a solidariedade de classe e o avanço da consciência. A História nos mostra – é só querer ver – que o mundo não é tão dual como alguns fazem crer ou como no poema de Cecília Meirelles “Ou isto ou aquilo”.
Sou solidária, sim, com a maioria dos PM’s e seu movimento. Sou, também, crítica à postura que o poder público, principalmente porque votei neste governo e posso criticá-lo, tem assumido frente ao funcionalismo público do nosso estado, sem saber ouvir e dialogar de verdade. Lembram-se da greve dos professores e alunos da UNEB?
Enfim, torço e espero que aconteça logo, logo, a retomada das negociações, que as reinvindicações dos policiais sejam atendidas e que as minorias autoritárias sejam contidas; autoritárias, no plural, porque os abusos têm acontecido dos dois lados.
Pegando carona num questionamento levantado por Neuza Aquino, talvez, se os policiais militares fizerem greve, ocuparem a Assembleia Legislativa da Bai, fecharem as ruas, sem suas armas, que, embora sejam instrumentos de trabalho, são letais, sintam como NÃO É BOM: tomar gás lacrimogênio na cara, levar baculejo ‘sem quê nem pra quê’, levar xingamento pelo comando da operação e, de quebra, ainda ser achincalhado pela mídia. Porque, vamos combinar, o mínimo que nos classificam – manifestantes de greve ou qualquer outro tipo de protesto – é que somos arruaceiros, vândalos e baderneiros. Quero acreditar que ao levantar a hipótese dos policiais sentirem na pele o que tod@s nós, trabalhadores, passamos, eu não esteja sendo movida só por um certo desejo de vingança.
“O erro na verdade não é ter um certo ponto de vista, mas absolutizá-lo e desconhecer que, mesmo do acerto de seu ponto de vista, é possível que a razão ética nem sempre esteja com ele.” (Paulo Freire)
Tina Maria Figueiredo é professora e correspondente do Portal DOPC na Baia.
By Don Oleari


Hoje (06/02) pela manhã a ABI (Associação Baiana de Imprensa) emitiu uma nota sobre a greve que diz: “São compreensíveis as ações desenvolvidas pelos integrantes da Polícia Militar da Bahia, no sentido de obterem aumentos em seus vencimentos, até em razão do crescimento da violência que passou a preocupar a todos, exigindo mais ações do aparelho policial, em defesa da integridade física dos cidadãos e do patrimônio público e privado. É inaceitável, no entanto, a adoção de medidas extremas para o alcance de tais melhorias, desrespeitando a Constituição da República, os governantes, os legisladores e o povo desta terra, com as práticas da invasão de prédios públicos e fechamento de vias urbanas, o que tumultua o cotidiano de Salvador e demais cidades do estado, expondo pessoas inocentes à ação de indivíduos que fazem da criminalidade um meio de vida. As ações dos governos estadual e federal para preservar a autoridade se respaldam na exigência de restabelecer-se o clima de tranquilidade a que o povo baiano tem direito, mas a solução não deve vir pela força. Assim, a ABI – Associação Baiana de Imprensa – consciente de suas responsabilidades na defesa das liberdades e dos direitos humanos, conclama as lideranças do movimento grevista no sentido de observarem a lei, na certeza de que os governantes imediatamente voltarão à mesa das negociações, visando ao retorno da normalidade, necessária ao dia a dia de nossa gente.”