Filed Under:  colunas, posts

Patologia, por Orlando Eller

18th janeiro 2012   ·   1 Comment


- Hitler, Getúlio, Mao Tse Tung, Strossner visitando Franco (Strossner, à esquerda, foi cortado pela edição).

– Ditadores me intrigam. Não tenho apreço por eles, nem razões para condená-los, porque invariavelmente são a síntese do povo que governam. Eles existem sob variadas roupagens e se garantem pela manobra às vezes sutil que se constrói pelas atitudes, pelos acenos, pelas palavras e pelas armas. Às vezes produzem medo, às vezes submissa veneração. E, assim, quase se perpetuam, uns mais outros menos.

Claro que você se lembra da guerra fria. Havia no mundo dois únicos ditadores, o capitalismo e o comunismo. A gente esteve submissa aos dois o tempo todo, independentemente do lugar em que se achasse. E não havia direito à escolha; ao contrário, a gente era a própria escolha.

Confesso que o vaivém deles nunca me perturbou. Mas curtia às vezes uma certa ansiedade de um dia acordar com a notícia de que a guerra fria entre eles esquentara subitamente. Em ambos havia coisas que me indignavam e que não raro atiçavam meu simples jeito de expectador submetido. Eu tentava entender o mundo que nunca foi meu. Mas foi, intensamente, dos outros.

Ditadores são cérebros de estruturas, de sistemas de interesse, religiosos, ideológicos, partidários, econômicos, financeiros e de governos, por exemplo. Todas estas estruturas se sustentam pelo poder, delegado ou conquistado, que em raras circunstâncias é exercido sem as patologias que sempre lhe são intrínsecas.

Eles existem nos governos, quaisquer que sejam as suas ideologias. Porque os governos se sustentam pelo poder e o poder, maioria das vezes, é patológico.

Orlando Eller é jornalista.

By

Readers Comments (1)

  1. Luiz Claudio Vieira Lopes disse:

    O escriba acima deveria mencionar a ditadura da privataria, camuflada de democracia, visto que o que foi bom eles faturaram e o Brasil tornou-se mais capacho das potências do que antes deles!
    Foi uma ditadura disfarçada de democracia, onde na moita raparam o tacho e cuspiram na cara de todos os que foram atrás, influenciados por uma mídia baba-ovos de potências, principalmente dos estadunidenses!





  • RSS
  • Twitter
  • Facebook
  • LinkedIn