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Antes que o ano acabe, por Tião Martins

31st dezembro 2011   ·   0 Comments

Sugestão de leitura feita por Rubens Pontes.

Antes que o ano acabe, voltemos ao grande espetáculo da política nacional. O Congresso está cheio de gente nova, buscando um lugar ao sol. Mas é comandado por velhos caretas, que odeiam novidades e querem ser estrelas sem tirar os pés da lama.

Embora haja duas dezenas de partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, só três deles estão representados no Congresso Nacional: o Partido dos Corretos, magro e absolutamente minoritário; o dos Corruptos, cada vez mais gordo, e o Partido dos Flexíveis, que esconde seu peso e tamanho.

Os corretos parecem baratas tontas, mesmo quando tentam abraçar uma causa justa. Os corruptos conhecem o seu papel de cor. Sabem tudo, na ponta da língua. E os flexíveis, para fazer jus ao título, navegam de um lado para outro, ao sabor do vento e sem rumo certo.

Um admirável modelo de flexibilidade é o do senador Romero Jucá, que vem sendo líder do governo no Senado desde os tempos de Itamar Franco e de Fernando Henrique Cardoso. E continua lá, seguindo o vento.
É por isso que se vota no Congresso um Código Florestal tão estranho. É por isso que se aprova lá a tal da DRU, que dá ao Executivo um poder para gastar dinheiro do jeito que quiser. Poder que nem os governos militares tinham. E é por isso, também, que nenhuma reforma importante sai de lá inteira.

É um tremendo faz-de-conta, que permite tudo. Ali, tudo se negocia e tudo se concede. Só o que varia é o preço.
As comissões só se reúnem para dar espetáculos. E, nelas, também mandam os antigos, enquanto os mais novos investem na carreira interpretando papéis que sejam do agrado das emissoras de televisão.

Dona Ideli Salvatti é a síntese perfeita do parlamentar que só olha para as câmeras. Agora, escolhida para fazer sol e chuva no Palácio do Planalto, ficou mais distante das câmaras e teve que embarcar na realidade. E está se dando mal.
Quando foi “ministra da Pesca”, após perder a eleição no seu Estado, não chegou a ver sequer um peixe ou pescador, o que não chega a surpreender, pois o próprio Ministério também não existe. É pura cenografia.

Essa madame, como senadora, foi a maior estrela dos programas improvisados da TV. Estrela ao contrário, vale ressaltar, pois a voz aguda, os gritos e a histérica expressão facial eram mais adequados a um circo de terceira classe. Ou ao chamado “quarto forte” de um dos antigos manicômios.

Mas dona Dilma gostou da dona Ideli. E lá está ela, como coordenadora política que não coordena sequer os seus próprios movimentos. E com uma cara de infelicidade que pode ser percebida até do outro lado da avenida. Tem ator que morre de medo de se sentir feliz, por saber que o seu espetáculo vai durar pouco. Deve ser o caso da Ideli, que hoje nem barulho consegue fazer.

Em janeiro, com o nome de reforma ministerial, dona Dilma promete dar continuidade à sua faxina. Vai varrer da Esplanada alguns ministros, espanar a poeira dos gabinetes de outros, liberar os que desejam disputar eleições e escolher novos inquilinos, provavelmente no Congresso Nacional.

Teremos mais do mesmo: alguns flexíveis, outros incompetentes e um bom número de preguiçosos.
É, meninas, tudo indica que dona Dilma terá mais três anos de faxina pesada, dia e noite. E muitos outros para se arrepender de todo esse entulho que lhe deixaram como herança. Nem o pior inimigo faria isso com alguém.

Fonte: Hoje em Dia, de Belzonte (MG).

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