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Artigo
Tragédias norte-americanas
Alencar Garcia de Freitas

31st agosto 2011   ·   0 Comments

Até parece que certas tragédias só acontecem em países do segundo e do terceiro mundo. Também os ricos estão sujeitos a algumas delas. Vemos o que tem acontecido nestes últimos tempos com os norte-americanos. Tragédias econômicas, climáticas, políticas e outras, de uns dois anos para cá, quase levaram aquela nação à bancarrota, arrastando consigo economias resistentes como a européia. Grandes bancos e poderosas indústrias tiveram que baixar as portas. O sistema habitacional teve um tremendo rombo em suas contas, comprometendo enormemente sua política de habitação e em conseqüência fazendo com que milhares de mutuários que estavam pendurados em financiamentos bancários, ficassem sem suas casas.

Os desastres climáticos nas terras de Tio Sam têm vindo de modo impiedoso: vendavais e furacões têm deixado para trás estragos assustadores como não se via há mais de 50 anos. Dona Irene, o mais recente fenômeno da natureza, passou por Nova York e seguiu em frente fazendo um rastro de destruição. É evidente que se um fenômeno desses ocorresse em países pobres, sem estrutura, sem recursos orçamentários e sem vontade política, os estragos seriam bem maiores. (Conversando por telefone com minha neta-filha que mora nos arredores de Nova York, contou-me ela que horas depois da passagem do furacão os serviços públicos já estavam em plena atividade reparando os estragos).

Os desastres políticos não são tão diferentes dos daqui. É bom recordar que o presidente Barack Obama passou dias e semanas negociando com o partido da oposição e seus principais representantes no Congresso até que conseguisse aumentar o teto da dívida pública para poder enfrentar a séria crise econômica que o país vem experimentando nestes últimos tempos. Com certeza ele teve que negociar pessoalmente com os congressistas fazendo concessões sem as quais não conseguiria a aprovação da proposta encaminhada pelo governo. Talvez não tenha chegado ao ponto de criar algum tipo de mensalão para obter aprovação dos congressistas…

Talvez a diferença maior no caso das tragédias em países ricos é que estes encaram-nas com mais responsabilidade e seriedade – mesmo que se façam concessões aceitáveis e éticas – enquanto que os políticos e homens públicos dos países pobres custam a decidir e quando decidem solucionar os problemas resultantes das tragédias – climáticas, econômicas e sociais – o fazem a um alto custo, envolvendo cargos públicos, propinas e negociatas de todas as espécies.

Uma coisa, porém, é certa: países ricos e países pobres estão sempre sujeitos a tragédias sejam elas de natureza econômica ou de natureza climática; a diferença fica por conta do modo de encará-las e solucioná-las, se de modo rápido e competente com espírito republicano, ou na base da lentidão e do toma lá dá cá.

Os políticos e os administradores públicos brasileiros precisam aprender a copiar os bons exemplos, deixando de lado ou jogando na lixeira os maus exemplos que só servem para destruir a dignidade de um povo, de uma nação.

Alencar Garcia de Freitas é jornalista

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