Coluna
“A máquina da corrupção”
Gutman Uchôa de Mendonça
29th julho 2011 · 0 Comments
No verão passado as chuvas torrenciais que caíram sobre o Estado do Rio de Janeiro provocaram tragédias, principalmente na região montanhosa de Friburgo, onde ocorreram deslizamento de barreiras e mortes.
Sucessivas tragédias ocorreram nos morros de cidades brasileiras, devido às invasões de terras, onde a negligência municipal faz proliferar favelas, um negócio escabroso, que ninguém detém.
Faz pouco tempo, bem depois da tragédia provocada pelas chuvas no Rio de Janeiro, ocorreu um terremoto em área da costa Leste do Japão, destruindo cidades, matando centenas de pessoas, que não suportaram o maremoto provocado pelo deslizamento de placas subterrâneas, em mar profundo, o que ocasionou uma das maiores tragédias do país.
Estranho como pareça, depois de 90 dias da ocorrência da tragédia japonesa, a impressão que se tem era de que, praticamente, não tinha acontecido nada de anormal, registrando-se, apenas, alguns montes de entulhos, que faltavam ser removidos, mas não atrapalhavam nada.
Consciente de suas responsabilidades, de um extraordinário espírito público, o Japão não precisou pedir socorro ao governo, à segurança nacional, à política, a ninguém, para guarnecer os restos da tragédia, para que não fossem pilhados.
Nenhuma pessoa precisou tomar conta, montar guarda, nada! As famílias que ali residiam se juntaram com toda dor para, de forma coletiva, levantar seus pertences.
Numa situação diametralmente oposta, no Estado do Rio a Política Militar teve que enfrentar a turba de ladrões, para impedir os saques, os roubos dos pertences que foram abandonados pelas vítimas da tragédia.
Por que essa diferença de comportamento? Uma questão apenas de educação, de falta de respeito aos semelhantes.
Agora, a Polícia Federal e o Ministério Público recolhem contratos que comprovam fraudes e desvios de verbas para a reconstrução da área onde ocorreu a tragédia, como ocupação da Prefeitura de Friburgo pelas forças policiais, onde foram recolhidos 40 processos de contratos assinados pelo município, após os acontecimentos deste ano.
O governo do Estado do Rio aprovou mais de R$ 147,6 milhões sem licitação para obras na serra.
A autorização foi publicada no Diário Oficial um dia após o fim da vigência do decreto que declarou a região em estado de calamidade pública, permitindo ao Estado contratar empresas para obras de emergência, sem fazer concorrência.
Tem jeito? Não há força capaz de consertar o país de tanta sacanagem que nossos governantes inventam para gastar dinheiro do contribuinte, com um descaramento tão grande que, sabem, estarão acobertados pela impunidade que nos cerca.
Pode ser que um dia, sei lá, tudo pode acontecer. Ocorra um milagre e caia uma tempestade de vergonha sobre a cabeça dessa gente sem escrúpulos ou, melhor, o povo fica mais inteligente e imponha, com sua força e vontade, de votar, as mudanças que tanto desejamos, mas, quem deseja que o Brasil mude, é uma minoria, inexpressiva, que é tolhida em seus passos pela volúpia dos imensos gastos que a máquina da corrupção promove.
Prestem bem atenção, essa gente sem escrúpulo está destruindo o Brasil.

